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Guerra vende armas e destrói sonhos - Música de Djavan

 Música de Djavan em que questiona a guerra. Abaixo letra e vídeo da música. Essa e outras músicas você ouve na Rádio Germinal:





Letra "Solitude" (Djavan) 

Amor em queda 
Mesmo tal moeda 
Perde cotação

Um mundo louco 
Evolui aos poucos 
Pela contramão

O erro invade 
Tudo o que é cidade 
Cai na imensidão

Guerra vende armas 
Mantém cargos 
Destrói sonhos

Tudo de uma vez 
Sensatez 
Não tem vez

Vidas, fardos, 
Meros dados 
Incontáveis casos

De desamor 
Quanta dor 
Muita dor

Parece tarde 
Falar de amizade, 
Ver com o coração

E desse jeito 
Reparar defeito 
Estendendo a mão

Guerra vende armas 
Mantém cargos 
Destrói sonhos

Tudo de uma vez 
Sensatez 
Não tem vez

Vidas, fardos, 
Meros dados 
Incontáveis casos

De desamor 
Quanta dor 
Muita dor

Quem é que sabe 
O quanto lhe cabe 
Dessa solitude?

Por isso a hora 
De fazer é agora 
Tome uma atitude.




Sinfonia da Amargura da Vida - The Verve (vídeo e letra em português/inglês)

 

Bitter Sweet Symphony

The Verve


Sinfonia da amargura da vida


Pois é uma sinfonia da amargura esta vida

Tente viver dentro de seus recursos

Você vira escravo do dinheiro e depois morre

Eu vou te levar pela única estrada onde já estive

Você sabe, aquela que te leva aos lugares

Onde todas as veias se encontram


Sem mudanças, eu posso mudar

Eu posso mudar, eu posso mudar

Mas estou aqui em minha forma

Estou aqui no meu molde

Mas sou um milhão de pessoas diferentes

De um dia para o outro

Não posso mudar minha forma

Não, não, não, não, não


Bem, eu nunca rezei

Mas hoje estou de joelhos, sim

Preciso ouvir alguns sons que identifiquem a dor em mim, sim

Vou deixar a melodia brilhar, limpar minha mente, me sinto livre agora

Mas as ondas do ar estão limpas e ninguém canta para mim agora


Sem mudanças, eu posso mudar

Eu posso mudar, eu posso mudar

Mas estou aqui em minha forma

Estou aqui no meu molde

E eu sou um milhão de pessoas diferentes

De um dia para o outro

Não posso mudar minha forma

Não, não, não, não, não

Não posso mudar

Não posso mudar


Pois é uma sinfonia da amargura esta vida

Tente viver dentro de seus recursos

Você tenta achar dinheiro e depois morre

Eu vou te levar pela única estrada onde já estive

Você sabe, aquela que te leva aos lugares

Onde todas as coisas se encontram


Você sabe que eu posso mudar, eu posso mudar

Eu posso mudar, eu posso mudar

Mas estou aqui em minha forma

Estou aqui no meu molde

E eu sou um milhão de pessoas diferentes

De um dia para o outro

Não posso mudar minha forma

Não, não, não, não, não


Não posso mudar minha forma

Não, não, não, não, não

Não posso mudar

Não posso mudar meu corpo

Não, não, não, não, não


Eu vou te levar pela única estrada onde já estive

Eu vou te levar pela única estrada onde já estive

Onde já estive

Já estive

Já estive

Já estive

Já estive

Você algum dia já esteve lá?

Você algum dia já esteve lá?




Bitter Sweet Symphony


'Cause it's a bittersweet symphony, this life

Try to make ends meet

You're a slave to money then you die

I'll take you down the only road I've ever been down

You know the one that takes you to the places

where all the veins meet yeah,


No change, I can change

I can change, I can change

But I'm here in my mold

I am here in my mold

But I'm a million different people

from one day to the next

I can't change my mold

No, no, no, no, no


Well I never pray

But tonight I'm on my knees yeah

I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah

I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now

But the airways are clean and there's nobody singing to me now


No change, I can change

I can change, I can change

But I'm here in my mold

I am here in my mold

And I'm a million different people

from one day to the next

I can't change my mold

No, no, no, no, no

I can't change

I can't change


'Cause it's a bittersweet symphony, this life

Try to make ends meet

Try to find some money then you die

I'll take you down the only road I've ever been down

You know the one that takes you to the places

where all the things meet yeah


You know I can change, I can change

I can change, I can change

But I'm here in my mold

I am here in my mold

And I'm a million different people

from one day to the next

I can't change my mold

No, no, no, no, no


I can't change my mold

no, no, no, no, no,

I can't change

Can't change my body,

no, no, no


I'll take you down the only road I've ever been down

I'll take you down the only road I've ever been down

Been down

Ever been down

Ever been down

Ever been down

Ever been down

Have you ever been down?

Have you've ever been down?

Eric Clapton Contra a Vacina e o Isolamento

 


Eric Clapton acaba de lançar uma música na qual questiona a vacinação obrigatória e o isolamento social devido à pandemia de Coronavírus. O músico, um dos melhores guitarristas e ídolo do rock and roll, apresenta um posicionamento crítico e independente. Assim, mesmo discordando de suas posições, é preciso deixar claro que sua concepção não é negacionista e o vídeo aponta críticas para o domínio dos meios tecnológicos de comunicação (TV e internet), aos problemas climáticos, o que o coloca como oposto aos conservadores e conspiracionistas. A tão propagada "liberdade de pensamento" por alguns não coincide com suas posições sobre manifestações do pensamento divergente. Apesar do exagero de ser contra a vacina e, mais ainda, contra o isolamento social, embora seja compreensível que alguns indivíduos consideram essa situação prolongada insuportável (e caso se prolongue vai ficar cada vez mais insuportável para setores cada vez mais amplos da sociedade), Clapton traz algo raro hoje em dia, em época de polarização entre duas concepções e posições problemáticas (mais forte no Brasil, mas que ocorre em menor grau e com menor força a nível mundial, com exceção de alguns países e regiões), que é o pensamento independente. Ouçam, reflitam, concordem ou discordem, pois essa é a posição mais racional, o irracional é negar de antemão tudo aquilo que discordamos sem o conhecer e entender. Por outro lado, a música defende a liberdade e é uma boa música. Abaixo o vídeo e depois a letra da música.



Isso tem que parar

Já é suficiente

Eu não aguento mais essa porcaria.


Já foi longe o suficiente

Se você quer reivindicar minha alma

Você terá que vir e quebrar esta porta


Eu sabia que algo estava acontecendo de errado

Quando você começou a estabelecer a lei


Eu não consigo mover minhas mãos

Eu começo a suar

eu quero chorar

Não aguento mais


Isso tem que parar

Já é suficiente

Eu não aguento mais essa porcaria.


Já foi longe o suficiente

Se você quer reivindicar minha alma

Você terá que vir e quebrar esta porta


Eu estive por perto

Muito tempo

Vi tudo

E estou acostumada a ser livre


eu sei quem eu sou

Tente fazer o que é certo

Então me tranque e jogue fora a chave


Isso tem que parar

Já é suficiente

Eu não aguento mais essa porcaria


Já foi longe o suficiente

Se você quer reivindicar minha alma

Você terá que vir e quebrar esta porta


Pensando nos meus filhos

O que resta para eles

E então o que está vindo pela estrada


A luz no túnel

Pode ser o trem para o sul

Senhor, por favor, ajude-os com sua carga


Isso tem que parar

Já é suficiente

Eu não aguento mais essa porcaria


Já foi longe o suficiente

Se você quer reivindicar minha alma

Você terá que vir e quebrar esta porta


Isso tem que parar

Já é suficiente

Eu não aguento mais essa porcaria


Já foi longe o suficiente

Se você quer reivindicar minha alma

Você terá que vir e quebrar essa porcaria


(Esta porta)

(Esta porta)

(Esta porta)

(Derrube esta porta)


(Esta porta)

(Esta porta)

(Esta porta)

(Derrube esta porta)


Eric Clapton has just released a song in which he questions mandatory vaccination and social isolation due to the Coronavirus pandemic. The musician, one of the best guitarists and rock and roll idol, has a critical and independent stance. Thus, even disagreeing with their positions, it must be made clear that their conception is not denial and the video criticizes the domain of technological means of communication (TV and internet), climate problems, which puts it as opposed to conservatives and conspiracyists. The much-proclaimed "freedom of thought" by some does not coincide with his positions on manifestations of divergent thought. Despite the exaggeration of being against the vaccine and, even more, against social isolation, although it is understandable that some individuals consider this prolonged situation unbearable (and if it continues, it will become increasingly unbearable for increasingly broader sectors of society), Clapton brings something rare nowadays, at a time of polarization between two problematic conceptions and positions (stronger in Brazil, but which occurs to a lesser degree and with less force worldwide, with the exception of some countries and regions), which is the independent thinking. Listen, reflect, agree or disagree, as this is the most rational position, the irrational is to deny in advance everything we disagree without knowing and understanding it. On the other hand, music stands for freedom and is good music. Below the video and then the lyrics.

Eric Clapton hat gerade einen Song veröffentlicht, in dem er die Impfpflicht und die soziale Isolation aufgrund der Coronavirus-Pandemie in Frage stellt. Der Musiker, einer der besten Gitarristen und Rock'n'Roll-Idol, nimmt eine kritische und unabhängige Position ein. Auch im Widerspruch zu ihren Positionen muss daher klargestellt werden, dass ihre Auffassung nicht zu leugnen ist und das Video den Bereich der technologischen Kommunikationsmittel (TV und Internet), der Klimaproblematik kritisiert und damit Konservativen und Verschwörern gegenübersteht. Die von manchen viel proklamierte "Gedankenfreiheit" stimmt nicht mit ihren Positionen zu Manifestationen abweichenden Denkens überein. Trotz der Übertreibung, gegen den Impfstoff und noch mehr gegen die soziale Isolation zu sein, obwohl es verständlich ist, dass einige Personen diese anhaltende Situation für unerträglich halten (und wenn sie so weitergeht, wird sie für immer breitere Bereiche der Gesellschaft immer unerträglicher), bringt Clapton etwas Seltenes heutzutage, in einer Zeit der Polarisierung zwischen zwei problematischen Auffassungen und Positionen (stärker in Brasilien, aber in geringerem Maße und mit geringerer Kraft weltweit, mit Ausnahme einiger Länder und Regionen), ist das unabhängige Denken. Hören Sie zu, reflektieren Sie, stimmen Sie zu oder stimmen Sie nicht zu, da dies die rationalste Position ist, besteht das Irrationale darin, alles im Voraus zu leugnen, ohne es zu wissen und zu verstehen. Andererseits steht Musik für Freiheit und ist gute Musik. Unten das Video und dann der Text.

Eric Clapton acaba de lanzar una canción en la que cuestiona la vacunación obligatoria y el aislamiento social debido a la pandemia de Coronavirus. El músico, uno de los mejores guitarristas e ídolo del rock and roll, tiene una posición crítica e independiente. Así, aun en desacuerdo con sus posiciones, hay que dejar claro que su concepción no es de negación y el video critica el dominio de los medios tecnológicos de comunicación (TV e internet), problemas climáticos, que lo sitúa frente a conservadores y conspiracionistas. La tan proclamada "libertad de pensamiento" por algunos no coincide con sus posiciones sobre las manifestaciones de pensamiento divergente. A pesar de la exageración de estar en contra de la vacuna y, más aún, contra el aislamiento social, aunque es comprensible que algunos individuos consideren insoportable esta prolongada situación (y si continúa, será cada vez más insoportable para sectores cada vez más amplios de la sociedad), Clapton trae algo raro hoy en día, en un momento de polarización entre dos concepciones y posiciones problemáticas (más fuerte en Brasil, pero que se da en menor grado y con menos fuerza a nivel mundial, con excepción de algunos países y regiones), que es el pensamiento independiente. Escuchar, reflexionar, estar de acuerdo o en desacuerdo, como esta es la posición más racional, lo irracional es negar de antemano todo aquello en lo que estamos en desacuerdo sin saberlo y comprenderlo. Por otro lado, la música es sinónimo de libertad y es buena música. Debajo del video y luego la letra.


Nova música de Edmilson Marques, "Goiânia"



"Goiânia",

Edmilson Marques.

Composição: Edmilson Marques e Nildo Viana



"Goiânia"


Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Rever a Praça do Bandeirante

O herói com espada e espingarda

Que lavou o ouro com o sangue

dos índios que exterminou com sua gangue

 

Passar na Praça Cívica do monumento

Três raças e apenas uma classe

de trabalhadores buscando alento

O suor que gera alimento para outro estamento

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Quando estou em Luziânia

Quero voltar para Goiânia

Quando telefono para a Tânia

Sinto saudade de Goiânia.

 

Quanto estou com insônia

Fico pensando em Goiânia

Mas quando saio com a Sônia

Não converso sobre Goiânia

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Ir até o zoológico e o Mutirama

Onde o trabalhador esquece o drama

Da exploração e da vida cotidiana

E da trama que produz tanta grana

 

Vamos nos perder nas avenidas

Por onde passaram tantas vidas

Anhanguera, Goiás e Araguaia

Lugar de comércio, carros e tocaia

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

O bom e o mau gosto e desgosto

de braços dados, eternos aliados

Vendo o mendigo exposto

e o rico escondendo o rosto

 

E ver gente bonita, arte e rock

No shopping o dinheiro dá o toque

Mas o mercado não mata a vida

Que insiste em ser vivida

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

No Serra Dourada ver Goiás e Vila

O tigre e o grito da cidade

Uma bela fuga da realidade

Ver a dor e alegria que lá desfila

 

Terra de batalhas e guerras

Onde o pensamento se rebela

Inspiração para uma nova era

Que o mundo tanto espera

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

 

Vamos Vânia

Vamos para Goiânia!

Vamos Vânia

Acesso ao programa overdose musical sobre eleições




O programa overdose musical especial sobre eleições está disponibilizado em formato áudio e pode ser acessado no link abaixo:

OVERDOSE MUSICAL: MÚSICA E ELEIÇÕES

Overdose musical em dose dupla hoje!

Hoje a Rádio Germinal estará apresentando o programa Overdose Musical em dose dupla:

Das 11 ao meio dia: Música, política e eleições
Do meio dia às 13 horas, Música Goiana.




Overdose Musical em vídeo


A Rádio Germinal disponibilizará alguns programas "Overdose Musical" no seu site. Agora está disponível o especial sobre Belchior. Em breve outros serão acrescentados.

http://radiogerminal.minharadio.fm/default.php?pagina=overdose-musical.php


"Corrupção": Para entender "O Espírito da Coisa"

A Banda "O Espírito da Coisa" lançou várias músicas de crítica social através da ironia. Uma delas é a música "Corrupto", que continua atual por remeter a uma questão estrutural do capitalismo.

Abaixo link para vídeo com a música "Corrupto", depois a letra da música, seguida por vídeo sobre a banda "O Espírito da Coisa" e link para artigo sobre corrupção.




Corrupto

O Espírito da Coisa


Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Viva, viva
A nova república!
Papai sempre foi um cara da pesada!
Vai fazer na vida pública
O que fazia na privada!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Salve, salve, papai é o tal
Papai abriu um banco ser ter capital
Pai faliu, que dia feliz!
Agora nós moramos em Paris!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Olha, olha, que coisa bonita!
Quando papai passa todo o povo grita!
Um, dois, três, quatro, cinco mil!
Porque que esse povo é tão gentil!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!

Pai, quando eu crescer,
Eu quero ser que nem você!
Pai eu quero ser, pai eu quero ser!
Corrupto! corrupto!



Leia o artigo "A corrupção na sociedade brasileira",

Essas e outras músicas você ouve na Rádio Germinal!
http://radiogerminal.com
http://radiogerminal.blogspot.com.br




Belchior em "Overdose Musical"


BELCHIOR EM "OVERDOSE MUSICAL"


Belchior é um dos grandes nomes da MPB. A sua morte no dia 30 de abril deste ano abalou os seus fãs. Em homenagem a este cantor, a Rádio Germinal dedicará a ele o programa "Overdose Musical", selecionando alguns de seus maiores sucessos e outras músicas relevantes. Belchior ficou famoso nacionalmente com músicas como "Apenas um rapaz latino-americano", "Medo de Avião", entre outras, além de ter sido compositor gravado por diversos outros cantores e cantoras, tal como sua música, "Como nossos pais", que ficou famosa na voz de Elis Regina. Com apresentação do sociólogo e historiador Diego Marques, neste domingo, às 11 horas, teremos mais um overdose musical, que iniciou semana passada com Guilherme Arantes, em homenagem a Belchior. Acesse Rádio Germinal (http://radiogerminal.com) e ouça Belchior e comentários sobre sua produção musical.

Atenção: Este programa pode ser ouvido neste blog e no site da Rádio Germinal (http://radiogerminal.com) ou, ainda, através do app da Rádio Germinal para celulares:
https://play.google.com/store/search?q=R%C3%A1dio%20Germinal&c=apps&hl=pt_BR


Mais um palhaço no seu carnaval...

Essa e outras músicas você ouve na Rádio Germinal, onde a música não é mercadoria, é crítica, qualidade e utopia.

Mais um palhaço no seu carnaval - Selvagens à procura de lei
(Letra e vídeo abaixo):



Mais um Palhaço no Seu Carnaval
(Gabriel Aragão)

Você é testemunha do que está acontecendo
(Do que está acontecendo)
Não, não faça cerimônia, não
Eu adiei todos os meus compromissos
Mas não se apresse em me abandonar
Eu ainda tenho as minhas mãos e os meus ouvidos
(As minhas mãos e os meus ouvidos)
E uma velha dúvida pra tirar
(E uma velha dúvida pra tirar)
E se as minhas mãos e os meus ouvidos nunca mentem
(Nunca mentem)
A quem eu quero enganar?
Quem você quer enganar?
O meu rei é à toa e o seu rei, sem coroa
Se o meu rei é à toa o seu rei está
Na barriga de um vencedor
E nos confetes que ele ganhou
Assim é o vendaval: a fantasia de todo carnaval
A quem a gente quer enganar?
Quem vocês vão enganar?

Mais um palhaço no seu carnaval...

E eu sei que você também pensa que não
Embora esconda em vão
Mas o tempo é passageiro e vai...
Vai dobrar os joelhos

Mais um palhaço no seu carnaval.


"Não adianta o oprimido virar opressor" - Música e Crítica Social: Ponto de Equilíbrio

A música abaixo aponta para uma percepção crítica de algo bastante comum em certos movimentos sociais na contemporaneidade, o autoctonismo e aloctonismo. Trata-se de uma música que realiza uma crítica social, mostrando a opressão e que a inversão da situação de opressor e oprimido não resolve a questão. Nesse sentido, é preciso "saber o que fazer/pensar/dizer". A letra da música é relativamente simples, mas abre espaço para reflexões. Também falta a utopia (a solução) e sair da relação apenas entre opressor e oprimido, indo para a questão mais fundamental e fundante da opressão, que é a exploração de classe. Abaixo letra e vídeo desta música, que você ouve na Rádio Germinal, onde a música não é mercancia, é crítica, qualidade e utopia.


África
Ponto de Equilibrio


Melhor do que viver acorrentado:
É saber o que fazer
É saber o que pensar
É saber o que dizer


A ovelha não deve se vingar do lobo
Pois o justo não anda no caminho dos tolos
Não adianta o oprimido virar opressor
Inverter a sociedade não vai acabar com sua dor


Afinal somos todos irmãos, lá-lá-lá-lá-lá-lá
Eu e eu, uma só nação, nossa terra:
África, mãe de toda criação

Nossa terra, nossa mãe: África, mãe de toda a geração


Música da banda Besouros Verdez


Essa e outras músicas você ouve na Rádio Germinal, onde a música não é mercadoria, é crítica, qualidade e utopia.



Acesse e faça o download do aplicativo da Rádio Germinal para seu celular. Através dele poderá ouvir a Rádio Germinal, acessar diretamente músicas e vídeos musicais de Edmilson Marques, bem como acesso a novidades, postagens, textos, reflexões sobre música, canal do youtube da Rádio Germinal, etc.

Para baixar o app, clique neste link:

A Música Antirracista de Timmy Thomas

Abaixo vídeo e letra da música de Timmy Thomas, Why Can't We Live Together (Por que não podemos viver juntos), de 1972. Essas e outras músicas você ouve na Rádio Germinal, onde a música não é mercadoria; é crítica, qualidade e utopia.






Timmy Thomas, Why Can't We Live Together (Por que não podemos viver juntos)

Por Que Não Podemos Viver Juntos ?

Diga-me por quê diga-me por quê
hmm Por que não podemos viver juntos?
Diz pra mim por quê
hmm Por que não podemos viver juntos?
Todo mundo quer viver junto
Por quê não podemos estar juntos?
Sem guerra, sem guerra, sem guerra
hmm so um pouquinho de paz
Nós so queríamos que as guerras acabassem
e um pouco de paz no mundo
Todo mundo quer viver junto
Por que não podemos viver juntos?
Não importa qual a tua cor
hmm você é meu irmão
É como eu disse, não importa a tua raça
hmm você é meu irmão
Todos querem viver juntinhos
Por que não podemos viver juntos?
Todo mundo quer viver
Todos chegaram a estar juntos
ôô todos querem viver
Todos chegaram a estar juntos
Ooh Ooh laaa laa laa laa
Todo mundo chegou a unir-se
Todo mundo quer estar unido
Não importa a tua cor
hmm você é meu irmão
Não importa mesmo a tua raça
Você é meu irmão
Todos querem viver unidos
Por que não podemos viver juntos?
viver juntos
Juntos!

O Rock expressa o que é a política institucional e os políticos profissionais

A música "Vossa Excelência", da banda Titãs, expressa um aspecto da política institucional e dos políticos profissionais: a dissimulação e a corrupção que manifestam os interesses daqueles que são falsamente apontados como "representantes do povo".

Ouça a música e a letra abaixo:



VOSSA EXCELÊNCIA
TITÁS

Estão nas mangas
Dos senhores ministros
Nas capas
Dos senhores magistrados
Nas golas
Dos senhores deputados
Nos fundilhos
Dos senhores vereadores
Nas perucas
Dos senhores senadores
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Senhores! Corrupto! Ladrão!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!
Estão nas mangas
Dos senhores ministros
Nas capas
Dos senhores magistrados
Nas golas
Dos senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos senhores vereadores
Nas perucas
Dos senhores senadores
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Bandido! Corrupto
Senhores! Senhores!
Filha da puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!
Isso não prova nada
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos
De tomar nenhuma decisão
Vamos esperar que tudo caia
No esquecimento
Aí então!
Faça-se a justiça!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!
Estamos preparando
Vossas acomodações
Excelência!
Filha da Puta!
Bandido! Senhores!
Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão
Written by Antonio Bellotto, Antonio Carlos Liberalli Bellotto, Charles Gavin, Charles De Souza Gavin, Paulo Miklos, Paulo Roberto De Souza Miklos • Copyright © Warner/Chappell Music, Inc

O Samba-Rock você ouve na Rádio Germinal

A Rádio Germinal toca diversos samba-rocks em sua programação diária. O Samba é um genêro musical que se consolidou e passou a ser unido com diversos outros gêneros musicais (sambolero, sambalada, etc.). Uma das mais interessantes é o rock. O samba-rock teve suas primeiras gravações nso anos 1970 e até hoje é produzido. A banda Kid Abelha regravou seu clássico Pintura Íntima como um samba-rock. Um dos mais antigos e famosos samba-rock é o de Abílio Manoel, Pena Verde. Essa música teve versão francesa e ganhou o II Festival Universitário de música, da TV Tupi, em 1969,gravado em 1970.

Abaixo letra e vídeo com a música:

PENA VERDE
Abílio Manoel

Pus Um Cravo na Lapela,
Sou Escravo, Eu Sou Dos Olhos Dela
Pena Verde no Chapéu...
Me Deu Sorte, Ela Caiu do Céu.

Tenho Agora Quem Me Quer
Dou o Meu Cravo Pra Quem Quiser
Mas Pena Verde Eu Não Abro Mão
Pois Desconfio do Seu Coração.

Não Adianta Fugir do Feitiço,
No Fundo Você é Toda Sorriso
Agora Sim Não Há Mais Problema
Tenho Você e Sei Que Vale a Pena...


Rock-Bolero, "Dilma".

Abaixo a mais nova música de Edmilson Marques, o Rock-Bolero "Dilma", um uso irônico do bolero para realizar crítica social:


DILMA Quando você aposta tudo no outro Fica sofrendo como um louco Por causa da traição e da ferida Assim ela destruiu a minha vida As promessas eram tantas As suas palavras eram mantras A perspectiva era a felicidade Ela me dizia que eu era prioridade Agora nem respeito nem educação Uma traição que não merece perdão E seu irmão ainda levanta a mão Para me bater e me jogar no chão Quando você aposta tudo no outro Fica sofrendo como um louco Por causa da traição e da ferida Assim ela destruiu a minha vida Agora sei com quem está ficando E eu fico sofrendo, ouvindo e cantando Altemar, “maldito amor” e “aparências” Combina com você e suas maledicências O seu mantra é razão instrumental Me usou para ganhar e foi embora Agora me joga fora como bola Eu lhe fiz o bem e você me fez o mal Quando você aposta tudo no outro Fica sofrendo como um louco Por causa da traição e da ferida Assim ela destruiu a minha vida Me diga com quem andas, que direi quem és Te vejo com os donos dos bancos Longe da ralé e dos saltimbancos E ao lado de gente com joias da cabeça aos pés A minha dor é a de todo trabalhador, Me fez retomar Ravel, bolero e retrocesso. Corrupção de amor não dá processo Não tem impedimento, só tem dinheiro e valor Quando você aposta tudo no outro Fica sofrendo como um louco Por causa da traição e da ferida Assim ela destruiu a minha vida Ao seu lado outro está feliz Calculando o lucro da matriz Cada vez mais empobreço Sofrer por ilusão é o preço Agora só restou o Adeus Já dizia a canção Já lhe esqueci e aos seus Já comecei minha revolução!

Edmilson Marques e Nildo Viana

LETRAS: Punk da Periferia - Gilberto Gil


Punk da Periferia

Gilberto Gil


Das feridas que a pobreza cria
Sou o pus
Sou o que de resto restaria
Aos urubus
Pus por isso mesmo este blusão carniça
Fiz no rosto este make-up pó caliça
Quis trazer assim nossa desgraça à luz

Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia

Ter cabelo tipo índio moicano
Me apraz
Saber que entraremos pelo cano
Satisfaz
Vós tereis um padre pra rezar a missa
Dez minutos antes de virar fumaça
Nós ocuparemos a Praça da Paz

Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia

Transo lixo, curto porcaria
Tenho dó
Da esperança vã da minha tia
Da vovó
Esgotados os poderes da ciência
Esgotada toda a nossa paciência
Eis que esta cidade é um esgoto só

Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó
Ó, aqui pra vocês!
Sou da Freguesia

A Formação do Gosto Musical e o Capital Fonográfico



O CAPITAL FONOGRÁFICO E A FORMAÇÃO DO GOSTO MUSICAL

Nildo Viana*

A formação do gosto musical é algo pouco discutido teoricamente e nas ciências humanas. O processo de formação do gosto é social e não individual, tese que só seria defensável no mundo das ideologias. Obviamente que tais ideologias existiram e ainda continuam existindo. Aqui vamos trabalhar com a formação social do gosto musical e do papel do capital fonográfico na sua constituição[1], o que nos leva a discutir inúmeras outras questões, como valores, gostos distintos e grupos sociais distintos, entre outros.

O gosto, em geral, pode ser pensado sob duas formas: o espontâneo e o refletido[2]. O gosto espontâneo é aquele no qual os indivíduos desenvolvem sem maiores reflexões, por familiaridade, acessibilidade, compartilhamento social. O gosto refletido é aquele no qual os indivíduos se informam, relacionam com outros aspectos da vida social, usa os valores fundamentais como critério para suas escolhas, etc. Obviamente que no gosto espontâneo, o preconceito, as idiossincrasias e outras determinações também atuam, mas sem um processo reflexivo. No caso do gosto refletido, essas determinações também atuam, mas geralmente sob a forma racionalizada. No caso do gosto musical, esse processo se manifesta da mesma forma.

Nesse sentido, o gosto dos indivíduos é formado socialmente, mas como os indivíduos possuem uma singularidade psíquica (VIANA, 2011a; VIANA, 2013), uma história de vida única, então as chamadas idiossincrasias são elementos diferenciadores na constituição do gosto. No caso do gosto musical, deixando de lado as diferenças individuais, que existem, mas que não são coisas metafísicas, são elas mesmas produtos sociais, é possível entender a sua formação num nível mais geral, no caso dos grupos sociais. Pensar no gosto musical da população é algo problemático, tendo em vista que não há homogeneidade neste gosto. Neste sentido, é interessante perceber que o gosto musical é composto por diversas camadas que expressam um grupo social ou diversos grupos/classes sociais.

Assim, podemos realizar algumas divisões para analisar o gosto musical, sendo a principal divisão entre grande público, composto pelas classes exploradas e dominadas em geral (proletariado, lumpemproletariado, campesinato, pequenos proprietários, subalternos, etc.) e setores menos privilegiados das classes privilegiadas[3], bem como setores destas interessados ou oriundos das classes exploradas[4] e público intelectualizado, composto por indivíduos das classes privilegiadas e por indivíduos das classes exploradas que conseguem uma determinada escolarização ou formação intelectual. O que predomina, no primeiro caso, é o gosto musical espontâneo e, no segundo, o refletido.

No entanto, é possível perceber subdivisões nos dois casos. No caso do grande público, a subdivisão ocorre mais em casos regionais (no caso brasileiro, existem variações ligadas a estado, cidade, bairros de regiões metropolitanas, etc.), ação do capital fonográfico em determinados setores da sociedade (classes, grupos, etc.), etc. Assim, no interior de São Paulo e de Goiás, a música sertaneja[5] sempre teve os seus aficionados, enquanto que no Pernambuco há aqueles que preferem o frevo e no Rio de Janeiro o samba tem um público permanente.

No caso do público intelectualizado, há o gosto musical dos especialistas (músicos, compositores, etc.), ou seja, da subesfera musical[6], bem como daqueles que compartilham tal gosto por sua influência e legitimidade socialmente conquistada, o que geralmente é dominante na sociedade neste setor. O critério fundamental nessa subesfera é a técnica e a forma. A música clássica é o exemplo maior nesse caso, mas que se reproduz, com diferenças, no interior da música popular também. Acontece que nesse público se forma outros gostos musicais, muitas vezes compartilhando suas preferências, outras vezes recusando e elaborando outros critérios para definição do que é considerado bom. No caso, os valores dominantes da subesfera musical apontam para a técnica e a forma, a tradição musical, etc. enquanto que alguns setores intelectualizados vão, partindo de outros valores, erigir outros critérios de qualidade musical, tais como a crítica social, o vínculo com as raízes histórico-culturais, o nacionalismo, etc. Algumas “facções”[7] são constituídas também. Esse é o caso de grupos de indivíduos que elegem determinadas preferências a partir de grupos unificados por um estilo de vida (punks, emos, etc.), por relações de amizade, por compartilhamento de gostos, etc. Além de grupos mais restritos, de gosto unificado e delimitado a um gênero, banda, cantor, etc., há outros mais amplos, que possuem gosto unificado, mas que vai além de um gênero ou outro elemento, embora sejam mais frágeis e cujo elemento unificador é mais a amizade que gera compartilhamento e reprodução de um mesmo gosto musical (seja um conjunto de músicas, gêneros, cantores, ou critérios de julgamento e formação de gosto).

Em síntese, o gosto musical é distinto no interior da população e podemos pensar em dois grandes blocos, o do grande público, que constitui a maioria da população, e o público intelectualizado, composto principalmente pelos indivíduos das classes privilegiadas. Existe uma subdivisão no interior destes grupos e, inclusive, certos setores que são “intermediários”, tal como parte da juventude pertencente às classes desprivilegiadas, que possuem um gosto que muitas vezes diverge do gosto dominante nestas, devido ao vínculo com outros jovens (de outras classes, através dos meios oligopolistas de comunicação, etc.). Nesse caso, alguns mesclam o gosto dominante do grande público com o do público intelectualizado, outros aderem a este e abandona o primeiro. Despois dessa breve análise da distribuição social do gosto musical, podemos discutir o papel do capital fonográfico na sua formação.

O Capital Fonográfico e a Formação do Gosto Dominante

O capital fonográfico é constituído pelas gravadoras de música, grandes empresas que com seu desenvolvimento se tornaram oligopolistas. O capital fonográfico oligopolista mundial conta com grandes gravadoras como a Universal, EMI, Sony, Warner, Indie Recors, entre diversas outras, que são as mais importantes também no mercado brasileiro, contando com algumas empresas oligopolistas brasileiras, como a Eldorado e Som Livre. O capital fonográfico oligopolista tem toda uma estrutura de produção, distribuição e divulgação articulada com outros setores do capital comunicacional (“indústria cultural”), tais como redes de televisão, emissoras de rádio, imprensa, etc. e com o capital comercial, tal como grandes distribuidoras, lojas, etc. Nesse contexto, o grande capital fonográfico não somente tem uma capacidade de produção muito mais elevada que o pequeno capital, como também tem uma estrutura de divulgação e distribuição muito superior e acaba sendo um das principais determinações da formação do gosto dominante do grande público e, em menor grau, do público intelectualizado.

Esse processo se realiza através do processo de gravação, já que o capital fonográfico seleciona o que vai gravar e, portanto, escolhe os músicos, gêneros, cantores, bem como influencia no processo de gravação. Além disso, uma vez que o cantor ou cantora, banda, etc., pretende ter sucesso, há a busca em se adequar à dinâmica do capital fonográfico (o que significa se adequar às suas exigências) e do capital comunicacional (inclusive alguns sem perceber, mas querendo o sucesso, produz aquilo que está sendo divulgado e aceito pelo grande público – ou, em alguns casos, pelo público intelectualizado). Ao selecionar o que é produzido em matéria de música, oferece um universo de escolhas limitadas e ao privilegiar e gravar uma maior quantidade de determinado tipo de música, torna o processo de escolha por parte do público ainda mais limitado.

A sua influência também se manifesta no seu poder de distribuição e divulgação, através do capital comercial e outros setores do capital comunicacional. A televisão e o rádio assumem um papel fundamental nesse processo (sendo reforçado por outros). A quantidade de músicas gravadas é muito maior do que a de músicas conhecidas pelo público. Isso se deve ao fato de que as antigos Long Plays (LPs) ou os atuais Compact Discs (CDs) possuem uma quantidade determinada de músicas, geralmente dez, mas são divulgados uma ou duas músicas, e apenas no casos dos cantores já consagrados um número maior. A escolha de quais faixas serão divulgadas e terão primazia no disco também é determinada pelo capital fonográfico. O capital fonográfico usa seus critérios para realizar tais escolhas e estes interferem tanto no conteúdo da música (mensagem) quanto na forma (melodia, arranjo, interpretação, etc.). Por conseguinte, não se espera de uma dupla sertaneja nada além da interpretação tradicional (a não ser que se crie um “derivado” com diferenciação, tal como o chamado “sertanejo universitário”), e o que se quer são refrãos repetitivos e coisas que supostamente seriam do gosto popular, que, contudo, é o gosto dominante imposto pelo capital fonográfico que se reproduz na população, tornando-se “popular”. Nesse sentido, a produção de músicas triviais é a preferência do capital fonográfico, por ser uma fórmula mais fácil de sucesso e isso reforça tal preferência como gosto dominante no grande público. As emissoras de rádio são influenciadas pelo capital fonográfico e, além disso, muitas delas pertencem a eles ou fazem parte de algum aglomerado do capital comunicacional, contando com gravadora, emissoras de rádio e TV[8].

A presença das músicas na televisão é outra fonte de popularidade. A Rede Globo, devido sua audiência, que em outras épocas foi maior, exercia uma forte influência na produção dos sucessos, com as trilhas sonoras de novelas, programas musicais que existiram ou ainda existem (Globo de Ouro, Cassino do Chacrinha, Domingão do Faustão, Fantástico, etc.). As outras redes de TV, algumas inclusive possuem público específico e menos exigente, realizam processo semelhante e colocam em evidência cantores e músicas de pior qualidade ainda, tal como nos programas de Silvio Santos e semelhantes, bem como as redes “educativas”, que possuem um público telespectador muito menor (TV Cultura, por exemplo), que trabalham geralmente com músicas complexas, atendendo ao gosto musical do público intelectualizado.

A força do capital fonográfico se manifesta quando ele resolve emplacar um produto, pois nem todos recebem a mesma atenção, inclusive em sua ação sobre as emissoras de rádio. O caso dos Beatles nos anos 1960, citado por Jambeiro (1975, p. 8) apenas exemplifica esse processo:
         A criação de um ídolo para o público, no que se refere às gravadoras é a mais agressiva possível e bastante comercial. Quando do lançamento dos Beatles no Brasil, por exemplo, a gravadora que os lançou chegou ao ponto de conseguir de todas as rádios que tocassem, num determinado dia, às 9 horas da manhã, todas juntas, somente o disco de lançamento dos Beatles. Ao mesmo tempo, todas as lojas de disco, nas mesmas cidades, faziam a mesma coisa, o que inundou os ouvidos de grande parte da população brasileira com o som do ruidoso conjunto.
Capital Fonográfico e Grande Público

Essa ação tem uma eficácia enorme principalmente junto ao grande público. A razão disto é que, como colocamos anteriormente, o seu gosto é mais espontâneo e, por conseguinte, mais influenciável pela repetição, familiaridade, clima social, simplicidade, etc. e, portanto, mais próximo da música trivial. A influência do capital fonográfico sobre outros setores do capital comunicacional (rádios, TVs, revistas, jornais, etc.) criam um processo marcado pela repetição das mesmas músicas, criando um clima social de que tais músicas são as da moda e que a maioria gosta, o que é reforçado pela familiaridade e simplicidade das mesmas, uma exigência das gravadoras para sua seleção, pois o grande público adere mais facilmente a tais formas musicais. Os modismos e a fabricação de ídolos são algumas das estratégias mais utilizadas pelo capital fonográfico.

A criação de modismos emerge com o Rock and Roll, que era uma moda voltada principalmente para o público jovem em geral[9]. O que existia antes eram produções musicais para públicos específicos e canções populares para o grande público, mas sem uma renovação rápida, o que passa a ser presente com as mudanças do capitalismo no pós-segunda guerra mundial, com a formação do regime de acumulação conjugado, que em suas interpretações ideológicas ficou conhecido como “sociedade de consumo”. Esse processo foi avançando com o tempo. Os modismos criam um vínculo geracional, pois ele atinge principalmente a juventude. Esse foi o caso da música disco no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, no qual tal gênero musical era importado dos Estados Unidos e tinha seus copiadores nacionais, sendo inclusive tema de novela da Rede Globo, Dancin’ Days. A referida novela teve forte impacto, pois a disco music aparecia constantemente não só na trilha sonora, mas na própria temática da novela, com diversas cenas em discotecas (época das mesmas e das matinês para crianças), no seu título e música de abertura, cantada pelo grupo As Frenéticas. A trilha sonora internacional trazia várias músicas do gênero e a nacional tinha até a roqueira Rita Lee entrando na moda, mas de forma irônica, o título da música era “Agora é moda”.

A fabricação de ídolos é outra estratégia do capital fonográfico. No caso brasileiro, isso ocorre desde Carmem Miranda e as “grandes vozes” (Silvio Caldas, Vicente Celestino, Francisco Alves, etc.), mas o processo de criação de ídolos se torna muito mais eficaz após 1945, especialmente nos anos 1950 e 1960. Elvis Presley foi o primeiro grande exemplo e The Beatles foi o segundo. Elvis Presley era um produto direcionado para um novo e amplo mercado consumidor, a juventude[10], e por isso a dança frenética, a irreverência e rebeldia foram elementos utilizados, ao lado do uso expressivo de outros setores do capital comunicacional, especialmente o cinema, já que este cantor estrelou diversos filmes, aliado com outras estratégias, como grandes shows, televisão, etc. Já o caso de The Beatles mantinha muitas semelhanças, bem como diferenças. Apesar das diferenças, tais como o capital comunicacional estar muito mais desenvolvido e o quarteto ser inglês, o sucesso também foi estrondoso e o capital fonográfico teve um papel fundamental.

No caso brasileiro, o maior exemplo é a cópia brasileira do rock norte-americano com a chamada “Jovem Guarda” e, principalmente, Roberto Carlos. Obviamente que num contexto marcado pela oposição entre bossa nova, por um lado, e a canção de protesto, por outro, a emergência da Jovem Guarda, e também do tropicalismo, aumenta a variedade e marca um processo de substituição, pois os últimos acabam superando os primeiros. A música trivial, mais adequada ao gosto espontâneo, ganha espaço nesse contexto e Roberto Carlos é escolhido para ser o grande ídolo fabricado brasileiro, uma experiência do tipo Elvis Presley, mas sem a voz, estilo, entre outras características, do mesmo. A escolha foi péssima, pois a voz de Roberto Carlos é horrível e sua irreverência se limitou a algumas músicas bem simplistas (tipo “Calhambeque”; “Splish, Splash” e “Pega Ladrão”), sem falar de que o rock (dele e da Jovem Guarda) era risível.

A fabricação de Roberto Carlos como ídolo seguiu a fórmula de Elvis Presley, que ficou conhecido como “Rei do Rock”. Em programa de TV, na Rede Tupi, no início de sua carreira, Roberto Carlos era apresentado como “Elvis Brasileiro”. A ideia de transformá-lo em “rei” tem essa origem e acabou sendo reproduzido por muitos, em que pese apesar de suas vendagens expressivas, sempre teve um público bastante oposto a ele, e por razões bens distintas da oposição a Elvis Presley, pois este era acusado de cantar música negra, entre outras questões sociais, enquanto que o problema de Roberto Carlos era geralmente a má qualidade de suas músicas e/ou seu conservadorismo político, expresso em suas letras de músicas (inexpressivas e que não saiam do romantismo brega) e outras práticas concretas, tal como no seu show no Chile onde agradece ao ditador Augusto Pinochet e sua relação amistosa – e segundo alguns documentos, “colaboração” – com o regime militar. No entanto, o programa de TV da “Jovem Guarda” (TV Record, 1965-1968), apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, era uma fórmula que deu resultados, inclusive maiores do que dos seus concorrentes[11].

Desta forma, o gosto dominante do grande público é formado principalmente pelo capital fonográfico aliado aos demais setores do capital comunicacional. Obviamente que existem outras determinações que ultrapassam a força do capital fonográfico. Muitos indivíduos do grande público têm acesso ao que é produzido para o público especializado e alguns mudam ou mesclam suas preferências anteriores com as novas oriundas desse contato. O sentimento nostálgico, de músicas do passado que relembram acontecimentos, sentimentos, etc., também é uma determinação mais individual e ligada à história do indivíduo[12], bem como seus contatos sociais e informações sobre música e sociedade. As músicas também podem despertar sentimentos e ao fazê-lo também promove o gosto por ela. Os jovens e os que pretendem trabalhar no ramo musical, oriundo do que foi chamado “grande público”, também se aproximam do gosto do público intelectualizado, seja parcialmente ou de forma mais ampla. A época e as ressonâncias das lutas sociais, os valores de cada grupo ou indivíduo dentro do grande público, a formação intelectual, entre diversos outras determinações, além das divisões já aludidas, tal como as regionais, dificulta o reino absoluto do capital fonográfico. Isto sem esquecer os equívocos que os responsáveis pelo capital fonográfico podem cometer, tal como a tentativa frustrada de retomada da bossa nova após o fim do boom do rock brasileiro em meados dos anos 1990, forçando inclusive roqueiros a produzir músicas nesse gênero (Rita Lee, Lobão, Lulu Santos, etc.), o que foi um fracasso.

Capital Fonográfico e Público Intelectualizado

O capital fonográfico e seus aliados do capital comunicacional também atua sobre o público intelectualizado. Nesse caso, a influência é menor e os agentes da subesfera musical acabam sendo fortes influências nas ações do capital fonográfico. Contudo, os interesses dos artistas venais ligados diretamente ao capital comunicacional e dos outros, ligados às estruturas de produção e reprodução do capital fonográfico, provoca em vários setores (compostos por aqueles que são hegemônicos e estabelecidos na subesfera musical) a política de “boa vizinhança” com os mais comerciais. É por isso que poucos entraram em confronto com Roberto Carlos, por exemplo, tal como o fez Sérgio Sampaio em sua música “Meu Pobre Blues” ou, recentemente, Caetano Veloso, no caso mais específico a respeito da questão das biografias não-autorizadas. No caso da música sertaneja, não deixa de ser engraçado como Lulu Santos fez a crítica e depois voltou atrás, embora Guilherme Arantes, agora em 2013, criticou e até agora não se arrependeu.

O público intelectualizado é mais dividido do que o grande público. Alguns preferem música clássica, outros MPB, Jazz, etc. Entre os mais jovens, o Rock ainda ocupa grande espaço, bem como surgem facções com variados gostos musicais, formado desde por fã clubes até grupos caracterizados por estilo de vida, sem falar nos saudosistas que formam grupos de gosto referentes às músicas mais antigas (por cantor, época, gênero, etc.). Esse processo de diferenciação tem a ver com a classe social, frações de classes, nível de formação intelectual, idade, geração, atividade profissional, até chegar às diferenças mais individuais, as mesmas que atuam também sobre o grande público. Mas como o gosto musical do público intelectualizado é mais refletido, então as músicas complexas são preferidas em relação às músicas triviais. Obviamente que as músicas complexas não possuem homogeneidade e seu nível de complexidade varia, bem como algumas músicas triviais[13] acabam conquistando também parcela do público intelectualizado, mas sendo mais comum as que se destacam ou possuem algum diferencial.

O público intelectualizado possui como determinação do seu gosto musical a racionalidade, o que gera critérios específicos para julgar, avaliar e gostar de músicas, de acordo com determinados valores. O hegemônico nesse público é o que a subesfera musical define como qualidade e o aspecto técnico-formal torna-se o fundamental. Esse formalismo e tecnicismo gera uma concepção elitista, o que é comum num setor de tal público. Até intelectuais renomados, como Theodor Adorno (2008), demonstram uma concepção elitista de música. Outros setores elegem como critério a criticidade das músicas, embora muitos de forma ambígua, usando-o apenas para justificar seu gosto geralmente irrefletido. No entanto, esse é um dos critérios do público intelectualizado e a ênfase, ao contrário da concepção elitista, recai é na mensagem, no conteúdo, e não na forma ou técnica. Para algumas concepções mais extremas, até mesmo a desqualificação da forma e técnica é realizada, como em algumas manifestações musicais e de gosto. Uma outra vertente já apresenta um conjunto de critérios por enfatizar a totalidade da música, embora colocando como essencial o conteúdo, ou seja, sua mensagem, de caráter crítico, no sentido de uma utopia concreta.

Por detrás de cada uma dessas preferências, se manifestam valores. No primeiro caso, revela-se um gosto axiológico, pautado nos valores dominantes, enquanto que nos demais revela-se um gosto axionômico, ou seja, fundado em valores autênticos[14]. Grupos mais restritos podem escolher gênero, cantor, banda, etc., e o critério, nesse caso, tem a ver com uma tradição criada pelo grupo (ou pelo capital fonográfico, região, etc.) ou fundada na história da música, etc., e os valores que motivam isso pode ser o nacionalismo, regionalismo, rebeldia, entre outros.

O capital fonográfico produz estratégias específicas para atingir tal público, sendo que o principal é o discurso da qualidade, aliado ao formalismo e tecnicismo, e muitas aliando isso com outros elementos, para criar uma ponte com o grande público. No entanto, o capital fonográfico elege públicos específicos e existem gravadoras especializadas em determinadas produções musicais, não só para o grande público, mas também para o público intelectualizado. Existem emissoras de rádio especializadas em Rock, Country, Jazz, MPB, etc., assim como para o grande público existem emissoras especializadas em sertanejo, “jovem” ou “pop”, etc. Da mesma forma, existem aquelas que querem atingir o maior número possível do público intelectualizado, sendo, portanto, ecléticas ou priorizando a suposta qualidade, expresso no formalismo/tecnicismo.

Contudo, esse público intelectualizado que escolhe seu gosto musical de forma racionalizada, nem sempre o faz através de amplas reflexões. Muitos conhecem muito pouco de história da música, gêneros, técnica, sentimentos ou emoções despertados, etc., e geralmente seguem as opiniões surgidas de supostas “autoridades” no assunto (seja os agentes da subesfera musical, seja indivíduos que fazem discurso sobre qualidade ou técnica nos meios oligopolistas de comunicação), sendo que ambos são acessíveis principalmente através do capital comunicacional (jornais, revistas, rádio, TV e, em menor grau, livros), embora uma parte seja nas instituições de ensino (universidades, por exemplo) ou mesmo amizades consideradas “cults” ou entendidos no assunto. A razão para tal incorporação de gosto musical remete aos valores dominantes e a necessidade de “distinção”, para usar termo de Bourdieu (2007). Ou seja, na competição social, algo estrutural da sociedade capitalista (VIANA, 2008), algumas pessoas querem se destacar e vencer e uma das formas de conseguir isso é mostrando superioridade intelectual, o que pode ser demonstrado por possuir um gosto pautado numa suposta “qualidade”, em saber técnico, em opinião de pessoas cultas ou especializadas[15]. Contudo, a aparência de inteligência revela, na essência, a ignorância.

Considerações Finais

O gosto musical individual é constituído socialmente, seja ele qual for. Mesmo o setor mais refletido do gosto musical do público intelectualizado tem sua formação social. O gosto musical manifesta valores incorporados, tal com a técnica, a crítica, a tradição, a nação, a região, a voz, a interpretação, a letra, a melodia, o gênero, emoções ou sentimentos despertados, etc. e isso vale para o mais complexo e “refinado”. Por isso, nada mais ilusório do que aqueles indivíduos que não fazem autorreflexão e autocrítica sobre seu gosto (musical e qualquer outro), julgando que ele é uma mônada, um mundo isolado, autossuficiente e autoproduzido e, pior ainda, que é superior e indiscutível. Inclusive essa última pretensão é mais um produto da competição social e da mentalidade burguesa (VIANA, 2008).

Da mesma forma, recusar a influência do capital fonográfico no gosto individual é ilusório, pois o que varia é o seu grau. Outro problema é o relativismo, ao considerar que todo gosto musical é equivalente, pois eles manifestam interesses, valores, representações, sentimentos, etc., que são expressões de distintas perspectivas de classe e, por conseguinte, não são neutras e nem equivalentes, servem para objetivos e projetos distintos, desde aquele que é fascista até o que é expressão da luta pela emancipação humana, aqueles que servem para entorpecer e os que servem para desenvolver a consciência.

O gosto musical, portanto, deve ser compreendido e analisado não para promover o seu domínio pela razão instrumental, o que seria querer generalizar a preferência de parte do público intelectualizado. O tecnicismo e o formalismo são as bases de um elitismo tão pobre e torpe quanto qualquer concepção conservadora. A música é uma totalidade e sua qualidade só pode ser avaliada levando isso em consideração (VIANA, 2007), bem como entendendo que o seu conteúdo é o essencial e elemento principal de avaliação, embora não único. Uma música que passa uma mensagem excelente, com teor crítico e elaborado, mas sua forma (interpretação, arranjo, melodia, etc.) é mal elaborada, é, comparativamente, inferior em qualidade a uma outra que tanto conteúdo quanto forma são bem estruturadas.

Por fim, é fundamental entender que o gosto musical é formado socialmente e que o capital fonográfico tem um papel importante em sua formação. Os indivíduos precisam ter consciência de que seu gosto musical não é natural, que brotou em sua cabeça a partir do nada, de algo inato ou de algo metafísico como um “mundo interior” de caráter místico. O desejo de liberdade não deve promover a confusão entre o ideal e o real. A ilusão de liberdade é um reforço para a reprodução da falta de liberdade e o reconhecimento da não-liberdade é um primeiro passo para sua realização.


Referências

ADORNO, Theodor. Escritos Musicales IV. Madrid: Akal, 2008.

BOURDIEU, Pierre. A Distinção. Porto Alegre: Zouk, 2007.

BOURDIEU, Pierre. Gostos de Classe e Estilo de Vida. In: ORTIZ, Renato (org.). Bourdieu. São Paulo: Ática, 1994.

DIAS, Marcia Tosta. Os Donos da Voz. Indústria Fonográfica Brasileira e Mundialização da Cultura. São Paulo: Boitempo, 2000.

JAMBEIRO, Othon. Canção de Massa – As Condições da Produção. São Paulo, Pioneira, 1975.

VIANA, Nildo. A Dinâmica da Violência Juvenil. São Paulo: Ar Editora, 2014a.

VIANA, Nildo. A Esfera Artística. Marx, Weber, Bourdieu e a Sociologia da Arte. 2ª edição, Porto Alegre: Zouk, 2011b.

VIANA, Nildo. Introdução à Sociologia. 2ª edição, Belo Horizonte: Autêntica, 2011a.

VIANA, Nildo. Juventude e Sociedade. No prelo. 2014b

VIANA, Nildo. O Papel do Indivíduo na História. Cadernos de História. Belo Horizonte/PUC-MG, 2013.

VIANA, Nildo. Os Valores na Sociedade Moderna. Brasília, Thesaurus, 2007a.

VIANA, Nildo. Para Além da Crítica dos Meios de Comunicação. In: VIANA, Nildo (org.). Indústria Cultural e Cultura Mercantil. Rio de Janeiro: Corifeu, 2009.

VIANA, Nildo. Universo Psíquico e Reprodução do Capital. Ensaios Freudo-Marxistas. São Paulo: Escuta, 2008.





* Professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás e Doutor em Sociologia/UnB.

[1] Não vamos discutir aqui de forma aprofundada o conceito de capital fonográfico ou o conceito de capital comunicacional. Para ficar compreensível o que queremos dizer entenda-se pelo primeiro termo o que comumente se chama de “indústria fonográfica” e pelo segundo “indústria cultural”, apesar das diferenças de concepções e, por conseguinte, de terminologia. Sobre “indústria fonográfica” existe uma certa bibliografia, com destaque para Dias (2000) e sobre capital comunicacional é possível consultar Viana (2009).

[2] Não há espaço para uma discussão sobre as diversas definições e concepções de gosto. Aqui apenas esclarecemos que em nossa perspectiva gosto significa disposição afetiva favorável a um ser, objeto, pessoa, obra de arte, etc. Nesse sentido, o gosto tem elementos sentimentais e racionais, sendo que em alguns casos o peso maior é dos sentimentos e no segundo da razão. O gosto musical, portanto, é a disposição afetiva favorável a determinadas músicas, cantores ou cantoras, bandas, gêneros, etc.

[3] As classes privilegiadas são a burguesia e suas classes auxiliares, especialmente a burocracia e a intelectualidade.

[4] Os setores interessados são aqueles que produzem ou ganha com determinada produção musical, como é o caso dos cantores de música trivial (“brega” e músicas simples em geral). No segundo caso, temos, como exemplo, os “novos ricos” ou pessoas oriundas das classes exploradas que conseguem uma ascensão social (sob as mais variadas formas, desde o sucesso inesperado em algum programa televisivo, tal como um Reality Show, passando pela sorte na loteria ou por processos sociais mais amplos que permitem ascensão de um contingente maior de pessoas). Em ambos os casos, os indivíduos mudam de classe social, mas não possuem a cultura da classe a qual passam a pertencer, mantendo sua cultura anterior, mesmo que mesclando alguns aspectos.

[5] Nada mais falso do que a ideia de Goiânia é uma cidade que tradicionalmente tinha vínculo com música sertaneja. Isso foi um produto do capital comunicacional a partir dos anos 1980, que, graças a sua ação acabou influenciando o gosto musical de parte da população, inclusive muitos que explicitamente não gostavam deste tipo de música.

[6] A esfera artística, assim como as demais, pode ser dividida em subesferas, e no seu caso, há a subesfera musical, teatral, literária, quadrinística, etc.

[7] Ao invés de usar termos como “tribos” ou “guetos”, preferimos “facções”, retirando-lhe o sentido militar ou pejorativo. As facções são grupos informais reunidos em torno de uma causa, estilo de vida, valores, gostos, posições políticas, crenças religiosas, etc. O termo tribo é descontextualizado, pois é manifestação das sociedades tribais e sua adaptação ao caso da sociedade moderna é problemática, assim como gueto, esse último para tratar dos grupos que abordamos aqui.

[8] O caso mais conhecido e famoso é o das organizações globo (e suas reprodutoras regionais, embora poucas possuam gravadoras), que além da Rede de TV, emissoras de rádio, jornais, editora, também possui a gravadora Som Livre, responsável pelas trilhas sonoras das suas novelas. A maior gravadora brasileira, a Eldorado, é do Grupo Estadão.

[9] Claro que isso não se refere ao Rock como um todo e nem em relação aos seus produtores mais críticos, mas o foco aqui é o capital fonográfico e este que possibilitou a explosão desse gênero musical e sob esta forma.

[10] A juventude é um grupo social constituído na sociedade capitalista (VIANA, 2014a) e tem como uma de suas características atribuídas à rebeldia (VIANA, 2014a; VIANA, 2014b) e o rock, com sua irreverência, crítica ou ironia, dependendo da época, banda, etc. acaba sendo a forma ideal de música para tal grupo.

[11] Na época havia o programa dos representantes da bossa nova, O Fino da Bossa (TV Record, 1965-1967), apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, que acabou perdendo espaço para eles, bem como, na sequência, o programa dos representantes da Tropicália, Gilberto Gil e Caetano Veloso, Divino Maravilhoso (TV Tupi, outubro-dezembro de 1968, pois o programa foi cancelado devido exílio dos apresentadores pelo regime militar), entre outros.

[12] É um caso individual que afeta aos indivíduos em geral, sob formas e com intensidades diferentes. O capital fonográfico também se aproveita disso, tal como se pode perceber no lançamento (e sucesso) de Stars On 45, fazendo medley ou pout pourri, ou seja, mistura de músicas selecionadas de um cantor/a, banda, estilo, etc. O Stars On 45 fez medleys dos Beatles, Bee Gees, Aba, Boney M, Disco Music, músicas dos anos 1970 e dos anos 1980, entre outros. Mas o capital fonográfico ganha mais hoje com o avanço tecnológico que permite a aquisição de músicas antigas e permite grandes vendagens, tal como ocorre com as músicas dos anos 1960. 1970 e, principalmente, 1980 e os diversos CDs lançados com coletâneas desse período demonstra isso. Obviamente que isso tem a ver com a perda de qualidade e sucessão mais rápida dos modismos realizada pelo capital fonográfico e o desagrado do público de gerações anteriores.

[13] As músicas triviais são aquelas que são mais simples, seja nas letras, melodias, arranjos, interpretação, geralmente em mais de um desses elementos simultâneos. Não se deve confundir músicas triviais com músicas “cafonas” (termo usado na década de 1970 e generalizado pela novela com o nome “Cafona”), ou “bregas” (termo utilizado a partir do início dos anos 1980 e popularizado pela Rede Globo principalmente via sua novela, “Brega Chique”, de 1987), pois estas são músicas de determinado tipo, consideradas de “mau gosto”, seja devido a um romantismo simplório, obscenidade, exageros visuais, vocais, etc. As músicas complexas, como o nome já diz, são as que a complexidade é maior em seus elementos, seja em um ou vários (letra, melodia, arranjo, interpretação). Existem algumas músicas que ficam num plano intermediário. Algumas buscam mesclas intencionalmente, como Eduardo Dusek na MPB em algumas de suas produções, especialmente seu LP “Brega Chique” (1984). Em outros casos, é o espírito rebelde ou intenção crítica que gera isso, tal como no Punk Rock, onde elementos de músicas triviais (e até alguns que seriam considerados de música brega, tal como alguns trechos de música dos Garotos Podres, para citar apenas um exemplo) se encontram presentes. Não deixa de ser curioso o desdém de certos intelectuais pela música “cafona” ou “brega” apelando para a concepção de indústria cultural de Adorno, sem perceber que até as palavras que usam são produtos desta e que, portanto, não estão tão em oposição a ela como pensam.

[14] Sobre axiologia e axionomia, cf. Viana (2007), e a respeito dos critérios escolhidos para o gosto e o que se considera de qualidade, veja o capítulo “valores e qualidade”.

[15] Isso atinge até algumas pessoas das classes desprivilegiadas, mesmo que apenas formalmente, tal como no caso de um operário que diz gostar de música clássica apesar de não entendê-la, tal como se pode ver em pesquisa realizada por Bourdieu (1994).
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Publicado originalmente em:
http://redelp.net/revistas/index.php/rel/article/view/4viana17/142